quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Porque um sorriso será sempre um sorriso (Parte II)

Um riso estridente e poderoso faz ouvir.
A sorte de alguns, foi e será sempre o azar de outros.
Ah, ah, ah, sorriem....
Mas, o aroma da autodestruição já se faz sentir.
A brisa que corre, oxida os corpos. Estes envolvem-se numa auréola mortificadora. No passeio, germinam as sementes da dor. Mas, o andar escorreito encobre a carnificina.
Ah, ah, ah, sorriem…
Mas, não sabem eles que este sorriso já não foi como o outro. Este já liberta os primeiros sons da podridão.
E eu, tu, nós, sorrimos também, achamos que nunca é a nossa vez...

domingo, fevereiro 13, 2005


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terça-feira, fevereiro 08, 2005

Porque um sorriso será sempre um sorriso

As vozes assustavam-no. Tinha medo de ouvir o que não queria ouvir, porque ele não tinha forças para suportar a dor, para suportar a aflição que lhe tolhia a alma e o fazia sentir, frio, muito frio.

As nuvens que antecedem tempestades são negras.
As nuvens que possuem a água purificadora já não são negras, mas são as mesmas nuvens.

As folhas secam, o ar irrespirável mortifica as crianças que brincam no parque num belo dia de verão, inocentes. Os pais em casa, finalmente são felizes, querem ter filhos, mas não querem que os filhos tenham pais.

As aves voam, mas os peixes já não nadam, caminham.
Fugiram do mar, primeiro porque tinham medo, depois porque a terra é melhor do que o mar. Deixaram de ser pescados. Os pescadores morreram de fome. Os parvos nunca descobriram que os novos vizinhos eram os peixes.

As noites já não são frias. Para que servem noites quentes. Já não posso procurar nos cobertores o calor.

As gargalhadas são mudas. Os gritos poderosos fazem vibrar as pedras que nunca ninguém conseguiu mexer. As balas desintegram-se quando tocam nos corpos moles. A arma mais poderosa é o olhar. E as vozes que se fazem ouvir são as vozes que ninguém quer ouvir.

A árvore que protegia e guardava em segredo os encontros ao fim do dia daqueles que se diziam amar foi derrubada e transformada em livros.

Os sonhos foram de tal maneira interpretados que as pessoas passaram a ter medo de contar o que sonhavam. E porque não falavam dos sonhos, passaram a não sonhar. E porque não sonhavam passaram a morrer em dias escuros.